[Lúcifer – 3.2]
No bar da Lux, com suas luzes
piscantes e música alta, Linda agradece a Amenadiel por ter desacelerado o
tempo para que Maze conseguisse salvá-la. Ela diz que ele pode contar com sua
ajuda quando precisar, e ele lhe faz um pedido inusitado.
– Asas cortadas no closet. – Linda diz, parada ao lado de Amenadiel, com as mãos na cintura, os dois encarando as asas ensanguentadas de Lúcifer. – É claro. Dá para aguentar.
– Meu irmão as largou por aí para qualquer humano bêbado
achar. – Ele diz desgostoso, os braços cruzados e os olhos fixos nas penas
brancas a seus pés. – Uma prova do mundo divino jogada no chão como...
– Como
roupa suja. – Linda
completa.
– Não
sei por quê, mas imaginei que elas desapareciam por mágica quando ele as
cortava, mas isso... é macabro. – A loira se vira para olhar para Amenadiel.
– Sabe
onde ficam os sacos de lixo? – Ele pergunta sem abalar sua imobilidade
enquanto uma Linda perplexa o encara.
– Deve
doer tanto... – A psicóloga
diz com as mãos ocupadas com os pedaços das asas mutiladas. – Cortar
uma parte do corpo repetidas vezes. Lúcifer fala como se não fosse nada, mas...
– Todos
nos escondemos alguma dor, – O anjo alto e negro diz olhando para ela. – que não
conseguimos mostrar ao mundo.
– É
verdade. – Ela
concorda olhando para o curativo em seu pulso esquerdo, e após alguns minutos
de silêncio o rosto delicado se levanta para o outro:
– Como
você sabe que é um teste ?
– Porque preciso me livrar daquilo que eu
tanto quero. – Ele
pega um pedaço das asas e olha rapidamente para a psicóloga antes de continuar
a encher os sacos de lixo.
– Pode
ser um grande azar. – A mulher diz calmamente.
– Não.
meu pai sempre tem um plano. não duvido mais. – O anjo olha
novamente para ela ao responder.
– Parece
muito cruel. – Linda
olha das asas dilaceradas para o anjo em pé ao seu lado. – Se
fosse fácil, não seria um teste. ou seria?
Ela reflete em silêncio enquanto Amenadiel carrega um dos sacos de lixo para o
lado de fora do prédio.



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