[Shadowhunters – 3.14]



           Jace arrombou um ringue de patinação no gelo para que ele e Clary pudessem se divertir. O problema é que o shadowhunter não tem a menor experiência no esporte e cai o tempo todo, apesar de todas as suas habilidades de combate.
           Jace deixa Clary se divertindo na pista de gelo e vai até o vestiário procurar outro par de patins, mas é surpreendido por Jonathan, que o imprensa contra os armários com uma faca em sua garganta.
           
           – Eu não faria isso se fosse você. – Jonathan diz calmamente quando Jace tenta lutar contra ele. – Se me ferir, fere a Clary, lembra?
           O ruivo pressiona a lâmina na garganta de Jace, que tenta não gritar e solta um grunhido de dor.
           
           – Quando Lilith me ressuscitou, ela me ressuscitou mais forte.
                      – Então... O quê vai fazer? Vai me matar? – Jace está arfando de raiva.
                      – Não. Se eu te matasse, a Clary nunca me perdoaria. – Jonathan responde antes de nocautear Jace com um soco.
           Com o outro shadowhunter fora do caminho, Jonathan usa seus poderes demoníacos para assumir a aparência do namorado da irmã.
           O falso Jace para na beirada da pista de gelo segurando um par de botas e disfarça o nervosismo antes de falar.
           
           – Clary! Má notícia! O dono está voltando. Acho melhor irmos nessa!
           A ruiva se aproxima patinando com facilidade, o sorriso estampado no rosto.
           
           – Você estava ficando tão bom. – Ela fala brincando.
                      – Não se preocupe. – Jonathan dá o sorriso torto característico de Jace. – Tem outro lugar aonde quero levar você. Nosso dia ainda não acabou.
           E ele conduz uma sorridente Clary para fora de lá antes que o verdadeiro Jace acorde.

           O casal caminha de mãos dadas e Clary fala, claramente feliz:
           
           – Você realmente não vai me dizer aonde estamos indo?
                      – Você vai gostar. Eu prometo.
                      – Jace, eu tenho que contar uma coisa a você. – Clary interrompe a caminhada e fica de frente para seu irmão, acreditando que está falando com seu namorado.
                      – Claro. Qualquer coisa. – Ele olha preocupado para o rosto subitamente tenso da garota.
                      – Ontem à noite. Jonathan me mandou uma mensagem.
                      – Sério? – Ele leva alguns segundos para imaginar qual seria a reação do verdadeiro Jace.
                      – Através da nossa runa. – Ela continua sem perceber que há algo errado. – Ele entalhou “Sinto a sua falta” no meu braço.
                      – Você está bem?
                      – Estou bem. Não era nada que uma iratze não resolvesse. Mas não queria esconder isso de você.
                      – Bom, não posso realmente culpá-lo por ser louco por você. – Jonathan finalmente comete um deslize e dá a resposta errada, uma que o apaixonado e protetor Jace jamais diria.
                      – Jace, ele me sequestrou e me fez de refém. – Clary responde chocada.
                      – Mas fez isso por amor. – Clary o encara sem entender por alguns segundos, e Jonathan finalmente percebe seu erro e tenta consertar o estrago. – Desculpe. Você tem razão. Deve ter sido muito traumático.
           Clary olha para o chão e mexe as sobrancelhas, claramente incomodada; ter sido sequestrada por ser irmão foi muito pior que isso.
           
           – Por que você não me contou antes? – Jonathan tenta continuar a atuar como Jace.
                      – Eu queria contar, mas... – Ela sorri. – Jace, está tudo perfeito entre nós. Eu não quis estragar o clima.
           Jonathan a encara sério, ela se surpreende e uma ruga de preocupação vinca sua testa.
           
           – Você não está bravo. Está?
                      – De jeito nenhum. – Ele dá um sorriso que não consegue esconder seu desconforto. – Só quero garantir que esteja segura. Ativou a runa antirrastreamento?
                      – Chequei duas vezes essa manhã. – Clary responde prontamente.
                      – Ótimo. Então ninguém pode ferir você. E se tentarem, vou estar aqui para proteger você.
           Clary sorri e eles voltam a caminhar, mas ainda há certo desconforto em seu rosto. Aquela não é a reação que ela esperaria de seu Jace.

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